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# Transações

> Acompanhe uma transação Pix de ponta a ponta: iniciação, autenticação, liquidação no SPI, ID E2E e crédito instantâneo, além dos padrões de cash-in e cash-out.

Elas representam a movimentação de recursos em tempo real entre contas em todos os participantes do Pix, seguindo os padrões técnicos e regulatórios do Banco Central do Brasil (BACEN).

As transações Pix buscam velocidade, rastreabilidade e interoperabilidade. Elas mantêm comportamento consistente independentemente da instituição ou do canal de front-end.

# Características principais

***

As transações Pix compartilham uma base comum em todas as instituições:

### Liquidação instantânea

Os recursos normalmente liquidam em **10 segundos**. O SPI garante a conclusão ou trata o timeout de forma transparente.

### Disponibilidade 24/7

O Pix opera de forma contínua, incluindo fins de semana, feriados e fora do horário comercial.

### Irrevogabilidade

Depois que um Pix conclui e credita o recebedor, apenas fluxos regulados podem revertê-lo (Refunds, Devoluções, MED).

### ID ponta a ponta (E2E)

Cada transação Pix recebe um identificador E2E único para auditabilidade, conciliação e tratamento de disputas.

### Interoperabilidade

Qualquer participante do Pix pode enviar ou receber Pix de qualquer outro, independente de instituição, plataforma ou canal.

### Limites configuráveis

As instituições devem aplicar limites regulatórios e internos para segurança e controle de fraude.

# Como funciona uma transação Pix (fluxo ponta a ponta)

***

<Frame caption="Figura 1. Fluxo de transação Pix">
  <img src="https://mintcdn.com/lerian-49cb71fc/TGLv2g3qhXqf0dqb/images/pt/d2/transaction-flow.svg?fit=max&auto=format&n=TGLv2g3qhXqf0dqb&q=85&s=63717f7f39cebced1967aa6f01eca9cb" alt="Fluxo ponta a ponta de uma transação Pix entre a instituição pagadora e a recebedora" width="392" height="1178" data-path="images/pt/d2/transaction-flow.svg" />
</Frame>

Segue uma visão simplificada, entre instituições, de uma transação Pix:

1. **Iniciação**

   O usuário começa uma transferência Pix usando um dos métodos de endereçamento disponíveis:

   * Chave Pix
   * QR Code (estático ou dinâmico)
   * Dados bancários manuais
   * Código EMV copia e cola

<Note>
  Para saber mais sobre QR Codes Pix, veja a [documentação de QR Codes](/pt/interfaces/pix/main-domains-qrcodes).
</Note>

1. **Autenticação e autorização**

   A instituição remetente deve autenticar o usuário com mecanismos fortes (por exemplo, biometria, 2FA, confiança no dispositivo).

   O consentimento do usuário é obrigatório.

2. **Validação e verificações de risco**

   Antes de enviar qualquer coisa ao SPI, a instituição deve validar:

   * Condição da conta (ativa, não bloqueada, KYC verificado)
   * Disponibilidade de saldo
   * Limites (por transação, diário, noturno, mensal)
   * Validade da chave Pix (se aplicável)
   * Avaliações de risco (indicadores antifraude, verificações de velocidade)

3. **Tentativa de liquidação (SPI)**

   A instituição envia a transferência ao **SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos do BACEN)**, que:

   * Valida a mensagem
   * Roteia para a instituição recebedora
   * Liquida a transação entre as instituições

4. **Crédito ao recebedor**

   A instituição recebedora deve creditar a conta **imediatamente**, mesmo se:

   * Ocorrer fora do horário comercial
   * Os sistemas estiverem sob carga
   * O valor for alto (exceto em casos sinalizados pelo antifraude)

5. **Notificações e geração do E2E**
   * As duas instituições recebem o status atualizado da transação
   * A transação recebe um **ID E2E** único
   * Webhooks ou notificações internas atualizam sistemas e usuários

# Tipos de transação Pix

***

As transações Pix se dividem em algumas categorias padronizadas regidas pelo BACEN.

## 1. Cash-Out (enviar Pix)

O pagador envia recursos para outra conta usando uma chave Pix, um QR Code ou dados bancários.

**Fluxo (resumo):**

1. O usuário inicia a transferência
2. A instituição verifica saldo + limites + chave
3. A instituição envia a transação ao SPI
4. O recebedor credita na hora
5. As duas partes recebem atualizações + ID E2E

Cenários comuns:

* Transferências P2P
* Pagamentos a lojistas
* Divisão de contas
* Pagamentos com split em marketplace (quando combinados com o Pix Cobrança)

## 2. Cash-In (receber Pix)

O cliente recebe uma transferência Pix de qualquer outra instituição.

**Fluxo (resumo):**

1. O SPI notifica a instituição recebedora
2. A instituição deve creditar a conta imediatamente
3. A instituição dispara notificações para conciliação
4. A instituição registra a transação com um ID E2E

Cenários comuns:

* Salários ou desembolsos corporativos
* Liquidações de lojistas
* Pagamentos recorrentes de clientes

## 3. Devolução (Refund)

Fluxo regulado que permite às instituições devolver recursos ao remetente original.

O seguinte pode disparar uma devolução:

* Pedido do cliente
* Devoluções do lojista
* Pagamentos duplicados
* Erros operacionais
* Casos MED ligados a fraude

Uma devolução deve:

* Usar a mensageria padrão do BACEN
* Vincular-se à transação original
* Seguir as regras de valor e de elegibilidade

## 4. Estorno (Chargeback / pacs.004)

Usado em casos regulados especiais, muitas vezes ligados ao MED ou a correções operacionais.

Os estornos seguem regras estritas do BACEN e **não** são o mesmo que devoluções do lojista.

# Cash-out: padrão de transferência em duas fases

***

A plataforma Lerian processa um cash-out Pix em um **padrão de duas fases** que separa a validação da movimentação de recursos.

## Por que duas fases

Uma transferência Pix envolve várias validações: consulta de chave, verificação de conta, checagem de saldo, aplicação de limites e avaliação antifraude. Uma etapa única que roda todas elas cria risco. Se algo falha depois de uma execução parcial, o estorno fica complexo.

O padrão de duas fases resolve isso dividindo o processo:

1. **Fase 1 (iniciar)**: validar tudo sem mover recursos
2. **Fase 2 (processar)**: executar a transferência de recursos com os dados validados

Essa separação traz várias vantagens:

* **Validação antes do compromisso**: todas as verificações (saldo, limites, validade da chave, antifraude) acontecem antes de qualquer dinheiro se mover
* **Confirmação do usuário**: a aplicação que inicia pode mostrar ao usuário os dados validados do destino antes de ele confirmar a transferência
* **Suporte a idempotência**: a aplicação pode repetir cada fase de forma independente, sem transferências duplicadas
* **Conformidade**: a plataforma conclui e registra as validações regulatórias antes de a movimentação de recursos começar

## Como funciona

### Fase 1: iniciar

A fase de iniciação cria um registro de transferência. Ela busca e valida as informações de destino. Nenhum recurso se move nessa etapa.

A plataforma aceita três tipos de iniciação:

| Tipo      | Descrição                                                  | Entrada                                          |
| --------- | ---------------------------------------------------------- | ------------------------------------------------ |
| `MANUAL`  | Dados completos da conta de destino fornecidos diretamente | Banco, agência, número da conta, documento, nome |
| `DICT`    | Destino resolvido por consulta de chave Pix (DICT)         | Valor da chave Pix (CPF, e-mail, telefone, EVP)  |
| `QR_CODE` | Destino extraído de um payload de QR Code                  | String do BR Code (EMV)                          |

Para iniciações `DICT` e `QR_CODE`, a plataforma consulta o DICT para resolver a conta de destino. A iniciação retorna o nome do titular da conta, o documento e a instituição, que a aplicação pode mostrar para confirmação do usuário.

A iniciação retorna um identificador único e um timestamp de expiração. A aplicação usa esse identificador na fase seguinte.

### Fase 2: processar

A fase de processamento pega a iniciação validada e executa a movimentação de recursos de fato:

* Verifica se a iniciação ainda é válida (não expirada, não processada antes)
* Debita a conta de origem no ledger
* Envia o pagamento à infraestrutura de liquidação do Pix (SPI)
* Registra a transferência com rastreabilidade completa (ID ponta a ponta, timestamps, status)

Depois que o processamento começa, a transferência segue o fluxo padrão de liquidação do Pix. Você não pode cancelá-la. O processo regulado de devolução é a única forma de revertê-la.

## Resumo do ciclo de vida

| Etapa                | O que acontece                                                      | Recursos movidos? |
| -------------------- | ------------------------------------------------------------------- | :---------------: |
| **Iniciar**          | Validar o destino, verificar a chave/QR, resolver os dados da conta |        Não        |
| **Usuário confirma** | A aplicação mostra os detalhes, o usuário aprova a transferência    |        Não        |
| **Processar**        | Debitar a conta de origem, enviar ao SPI, creditar o destino        |        Sim        |
| **Concluir**         | ID ponta a ponta atribuído, as duas partes notificadas              |         —         |

# Camadas de validação (regulatórias + operacionais)

***

Cada transação Pix passa por várias validações antes de chegar ao SPI:

### 1. Verificações de conta

* Conta ativa
* Não bloqueada
* KYC completo

### 2. Disponibilidade de recursos

* Saldo suficiente
* Retenções temporárias liberadas

### 3. Validação da chave Pix

Se o usuário paga com uma chave, a instituição deve buscar e confirmar os dados do recebedor no DICT.

### 4. Limites regulatórios

* Por transação
* Limite diário
* Limite noturno (obrigatório)

### 5. Verificações de risco e fraude

As instituições podem aplicar:

* Verificações de velocidade
* Fingerprinting de dispositivo
* Análise comportamental
* Marcadores de fraude conhecida

### 6. Idempotência

Cada transferência Pix deve ter um ID de transação único.

Isso evita transferências duplicadas durante novas tentativas.

# Controles operacionais e segurança

***

### Requisitos de autenticação

A autenticação forte do cliente é obrigatória para todas as operações de envio Pix.

### Notificações e webhooks

Depois do crédito, as instituições devem notificar sistemas e usuários.

Os webhooks permitem conciliação em tempo real.

### Tratamento de erros

As categorias comuns de erro incluem:

* Timeout
* Chave inválida
* Saldo insuficiente
* Limite diário/noturno excedido
* Transação suspeita bloqueada

### Auditabilidade

O Pix exige rastreabilidade completa:

* Logs
* Timestamps
* ID E2E
* Metadados da conta

# Limites de transação (regras do BACEN)

***

Os limites de transação do Pix existem para reduzir o risco de fraude, proteger os usuários finais e manter a segurança operacional em todo o ecossistema de pagamentos instantâneos. O BACEN define **padrões mínimos de segurança**, e as instituições podem acrescentar restrições conforme o apetite de risco delas.

Os limites do Pix se dividem em dois grupos: **limites regulatórios obrigatórios** e **limites definidos pela instituição**.

## 1. Limites regulatórios obrigatórios (BACEN)

### Limite noturno (teto por transação)

As instituições **devem** aplicar um limite máximo menor entre **20:00 e 06:00**.

Requisitos regulatórios:

* Máximo padrão: **R\$ 1.000**
* As instituições podem definir um padrão menor (por exemplo, R$ 500 ou R$ 200)
* Os clientes podem **reduzir** esse limite na hora
* Os clientes podem **aumentar** esse limite **apenas depois de uma espera mínima de 24 horas**
* Os clientes podem **ajustar a janela noturna** (por exemplo, estender para 18h–08h)

Essa regra se aplica a:

* Transferência Pix (cash-out)
* Pagamento por QR Code Pix
* Pix Saque/Troco
* Pagamentos Pix Cobrança iniciados à noite

A finalidade dela é impedir fraude nos horários de maior risco.

### Permissão para limites controlados pelo cliente

As instituições devem oferecer aos clientes a capacidade de **configurar os próprios limites**, por:

* Transação
* Dia
* Máximo noturno
* Outras formas de segmentação por risco

Essas mudanças devem respeitar as regras de prazo do BACEN:

* **Reduções** → devem entrar em vigor **imediatamente**
* **Aumentos** → podem entrar em vigor apenas **depois de no mínimo 24 horas** (atraso de segurança)

### Obrigação de analisar pedidos de aumento de limite

Cada instituição deve:

* Aceitar pedidos de clientes para aumentar limites
* Avaliá-los por critérios de risco
* Conceder ou negar com base na política de fraude
* Aplicar aumentos apenas **depois do período regulatório de espera (24h+)**

### Limites de Saque/Troco (cash-out em lojistas)

O Pix Saque e o Pix Troco têm os próprios tetos:

* Padrão: **R\$ 500** por transação
* As instituições podem oferecer voluntariamente até **R\$ 3.000** por transação
* Os clientes podem reduzir esse limite na hora
* Os aumentos seguem a mesma regra de 24h

Esses limites *não* afetam transferências normais. Eles são específicos das modalidades de saque em dinheiro.

### Obrigações de crédito (independentes dos limites)

Mesmo que uma transferência exceda os limites, depois que o recebedor recebe o **crédito**:

* A transação se torna **irrevogável**
* Apenas fluxos de MED ou de devolução podem revertê-la
* As instituições não podem “desfazer” um Pix concluído por iniciativa própria

## 2. Limites definidos pela instituição (configuráveis)

Além das regras obrigatórias, as instituições podem acrescentar os próprios controles, como:

### Limite por transação

Valor máximo permitido para uma única operação Pix.

### Limite diário

Teto do valor total em Pix por usuário por dia de calendário.

### Limite mensal (opcional)

Usado principalmente por contas corporativas ou modelos de risco de fintechs.

### Segmentação por risco

As instituições podem oferecer:

* Limites mais estritos para clientes novos (ex.: primeiros 7 dias)
* Limites diferentes para usuários de alto risco ou contas sinalizadas
* Limites dinâmicos ajustados pelo comportamento do cliente

Esses controles internos nunca devem conflitar com os requisitos do BACEN. Eles apenas os complementam.

## 3. Regras operacionais exigidas pelo BACEN

### Redução imediata de limite

Os clientes podem baixar os limites deles na hora.

### Aumento de limite com atraso

Todos os aumentos devem respeitar:

* **No mínimo 24 horas** antes de entrar em vigor
* Período de espera adicional opcional (escolha da instituição)

### Horários de pico de risco

Os limites noturnos se aplicam especificamente aos **fluxos de cash-out**, já que eles representam o principal vetor de perdas por fraude.

### Aplicação em tempo real

As instituições devem verificar os limites *antes* de enviar uma transação ao SPI.

A instituição deve rejeitar **localmente** um Pix que viola limites, antes de ele chegar ao SPI.

## 4. Comportamento dos limites no ciclo de vida da transação

### Durante uma iniciação Pix

A instituição remetente deve verificar:

* Saldo disponível
* Limite por transação
* Limite diário
* Limite noturno
* Limite de Saque/Troco (se aplicável)
* Limites de fraude/velocidade
* Limites configurados pelo cliente

Se uma transação viola qualquer regra, a instituição deve rejeitá-la com um código apropriado.

### Durante novas tentativas

A instituição deve validar os limites de novo.

A idempotência impede transferências duplicadas, mas **não** contorna as verificações de limite.

### Durante fluxos de lojista

Os QR Codes dinâmicos também devem respeitar:

* Limites do cliente
* Regras de horário do dia
* Tetos de Saque/Troco

Mesmo que o lojista defina um valor, a instituição do pagador decide se aprova.

## 5. Comunicação recomendada ao cliente

O BACEN exige que as instituições:

* Expliquem os limites com clareza
* Ofereçam autoatendimento ao cliente para ajustar limites
* Mostrem os aumentos pendentes e as datas de ativação
* Notifiquem os clientes em caso de comportamento suspeito

## 6. Tabela-resumo

| Tipo de limite    | Obrigatório? | Padrão (BACEN)            | Controles do cliente        | Regras de ativação                  |
| ----------------- | ------------ | ------------------------- | --------------------------- | ----------------------------------- |
| Por transação     | Opcional     | Definido pela instituição | Aumentar/reduzir            | Reduzir = imediato / Aumentar = 24h |
| Diário            | Opcional     | Definido pela instituição | Aumentar/reduzir            | Reduzir = imediato / Aumentar = 24h |
| Noturno (20h–06h) | **Sim**      | **Máx. R\$ 1.000**        | Personalizável pelo cliente | Aumentar = atraso de 24h            |
| Saque/Troco       | **Sim**      | Padrão de R\$ 500         | Configurável pelo cliente   | Aumentar = atraso de 24h            |
| Mensal            | Opcional     | Definido pela instituição | Aumentar/reduzir            | Definido pela instituição           |

<Tip>
  **Referência regulatória**

  Esta página dá uma visão geral prática de como o Pix funciona. Para detalhes técnicos, jurídicos e regulatórios mais profundos, consulte sempre a [documentação oficial](https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/pix-normas) publicada pelo **Banco Central do Brasil (BACEN)**. Ela cobre mudanças de regras, prazos e requisitos oficiais.

  Os materiais do BACEN são a fonte autoritativa para as regulamentações do Pix e contêm as especificações mais completas e atuais.
</Tip>
