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# Como o dinheiro se move

> O que conta como uma movimentação de dinheiro, como suas partes são chamadas (transações, operações e retenções), e onde o dinheiro fica antes de finalmente se efetivar.

Você já sabe que o dinheiro nunca aparece nem desaparece. Ele se move de uma origem para um destino, e os dois lados são registrados. Agora vamos à *movimentação* em si: o que é uma movimentação completa, como se chamam suas partes, e onde o dinheiro fica antes de uma movimentação terminar.

Imagine entregar dinheiro em espécie no balcão. No momento em que o dinheiro sai da sua mão e chega à da outra pessoa, toda a troca aconteceu como um único evento. Um sistema bancário trata a movimentação da mesma forma: uma entrega completa, registrada por inteiro, de uma só vez.

## Uma movimentação, registrada por completo

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Uma **transação** é uma movimentação completa de valor: o evento inteiro, do início ao fim. Quando um cliente envia R\$100 para um lojista, essa única transação *é* os R\$100 mudando de mãos.

Mas você já viu que toda movimentação tem dois lados. Então uma transação tem partes menores:

* Uma **operação** é uma parte da movimentação: um único débito ou um único crédito.
* Uma transação é composta por operações que **se equilibram**: tudo que foi debitado é igual a tudo que foi creditado.

A transferência de R\$100 é uma transação com duas operações. Uma é um débito de R\$100 que sai do cliente. A outra é um crédito de R\$100 que chega ao lojista. Mesmo valor, direções opostas, registrados juntos.

<Tip>
  Uma **operação é uma parte de uma movimentação**. Uma transação é a movimentação inteira. As operações são suas partes.
</Tip>

## As formas que uma movimentação pode assumir

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A movimentação mais simples tem uma origem e um destino, mas uma única transação pode se espalhar por mais contas. Por mais partes que tenha, ela sempre se equilibra. As formas comuns:

* **Um para um**: uma origem, um destino. Uma transferência simples: sai do cliente, entra no lojista.
* **Um para muitos**: uma origem, vários destinos. O cliente paga R\$103: R\$100 vão para o lojista e R\$3 para uma conta de tarifa. Três operações, ainda equilibradas (R\$103 saindo = R\$100 + R\$3 entrando).
* **Muitos para um**: várias origens, um destino. Algumas contas reunindo dinheiro em um único fundo.
* **Muitos para muitos**: várias origens e vários destinos ao mesmo tempo, como um marketplace dividindo pagamentos recebidos entre vendedores e tarifas.

A regra nunca muda, não importa quantas partes existam: **tudo que sai deve ser igual a tudo que chega.**

<Note>
  Nem todo ledger aceita as quatro formas. Sistemas mais simples podem permitir apenas movimentações um para um (ou um para muitos), enquanto outros lidam com o caso completo muitos para muitos em uma única transação. O que é possível depende do ledger que você usa.
</Note>

<Note>
  Uma transação é **tudo ou nada**. Ou todas as operações têm sucesso juntas, ou nenhuma delas acontece. Os livros nunca ficam registrados pela metade. O nome dessa propriedade é **atomicidade**.
</Note>

## Dinheiro em trânsito: retenções e movimentações em duas fases

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Onde o dinheiro fica *antes* de uma transação ser final?

Muitas movimentações não se efetivam no instante em que começam. O sistema primeiro **reserva** o valor: ele fica separado, ainda na conta, mas não está mais livre para gastar. Depois, a transação **confirma** (se efetiva definitivamente) ou **cancela** (libera a reserva). Essa é uma movimentação em **duas fases**: primeiro reservar, depois confirmar ou cancelar.

Uma conta tem duas partes de dinheiro:

* **Saldo disponível**: o que você realmente pode gastar agora.
* **Saldo retido**: o que está reservado para uma movimentação que ainda não terminou. Ainda é seu, só está congelado até se efetivar ou ser liberado.

<Note>
  Pense em uma pré-autorização de hotel no seu cartão. No check-in, o hotel **reserva** um valor. Ele não sumiu, mas você não pode gastá-lo. No check-out, a cobrança **confirma**, ou a retenção é **cancelada** e o dinheiro fica livre de novo. Mesmo dinheiro, duas fases.
</Note>

```mermaid mermaid theme={null}
flowchart LR
  R["Reserva<br/>valor retido"] -->|"confirma"| C["Confirmação<br/>move para o destino"]
  R -->|"libera"| X["Cancelamento<br/>retorna para disponível"]
  classDef bal fill:#fff8e1,stroke:#f4b400,color:#333;
  class R,C,X bal;
```

## Controle de gastos

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Depois que você consegue ver o dinheiro como *disponível* versus *retido*, controlar os gastos se torna natural. A qualquer momento, o dinheiro de uma conta está em um de três estados:

* **Disponível**: livre para gastar.
* **Retido**: reservado para uma movimentação em andamento (em trânsito).
* **Bloqueado**: congelado de propósito, separado para que não possa se mover de jeito nenhum.

Além disso, **limites** podem restringir a movimentação. Um limite define um teto para quanto pode fluir. Juntos, eles respondem a uma pergunta comum: *por que essa conta não consegue gastar?* Normalmente o motivo é uma retenção, um bloqueio ou um limite, não dinheiro faltando.

## Próximos passos

***

<Note>
  **Veja isso na Lerian**

  Veja essas ideias na prática: [Transações](/pt/products/midaz/transactions), [Operações](/pt/products/midaz/operations) e [Saldos](/pt/products/midaz/balances).
</Note>
