Características principais
As transações Pix compartilham uma base comum entre todas as instituições:
Liquidação instantânea
Os fundos normalmente são liquidados em 10 segundos. O SPI garante a conclusão ou trata o timeout de forma transparente.Disponibilidade 24/7
O Pix opera continuamente — incluindo finais de semana, feriados e fora do horário comercial.Irrevogabilidade
Depois que um Pix é completado e credita o recebedor, apenas os fluxos regulamentados podem revertê-lo (Reembolsos, Devoluções, MED).End-to-End ID (E2E)
Cada transação Pix recebe um identificador E2E único para auditabilidade, reconciliação e tratamento de disputas.Interoperabilidade
Qualquer participante do Pix pode enviar ou receber Pix de qualquer outro, independentemente da instituição, plataforma ou canal.Limites configuráveis
As instituições devem aplicar limites regulatórios e internos para segurança e controle de fraude.Como funciona uma transação Pix (Fluxo End-to-End)
Figura 1. Fluxo de Transação Pix
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Iniciação
O usuário inicia uma transferência Pix usando um dos métodos de endereçamento disponíveis:
- Chave Pix
- QR Code (estático ou dinâmico)
- Dados bancários manuais
- Código EMV copia e cola
Para saber mais sobre QR Codes Pix, visite a documentação de QR Codes.
- Autenticação e autorização A instituição remetente deve autenticar o usuário com mecanismos fortes (ex.: biometria, 2FA, confiança do dispositivo). O consentimento do usuário é obrigatório.
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Validação e verificações de risco
Antes de enviar qualquer coisa ao SPI, a instituição deve validar:
- Condição da conta (ativa, não bloqueada, KYC verificado)
- Disponibilidade de saldo
- Limites (transação, diário, noturno, mensal)
- Validade da chave Pix (se aplicável)
- Avaliações de risco (indicadores antifraude, verificações de velocidade)
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Tentativa de liquidação (SPI)
A instituição envia a transferência ao SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos do BACEN), que:
- Valida a mensagem
- Encaminha para a instituição recebedora
- Liquida a transação entre as instituições
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Crédito ao recebedor
A instituição recebedora deve creditar a conta imediatamente, mesmo que:
- Ocorra fora do horário comercial
- Os sistemas estejam sob carga
- O valor seja alto (exceto em casos sinalizados como antifraude)
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Notificações e geração do E2E
- Ambas as instituições recebem o status atualizado da transação
- A transação recebe um ID E2E único
- Webhooks ou notificações internas atualizam sistemas e usuários
Tipos de Transação Pix
As transações Pix se dividem em algumas categorias padronizadas governadas pelo BACEN.
1. Cash-Out (Enviar Pix)
O pagador envia fundos para outra conta usando uma chave Pix, QR Code ou dados bancários. Fluxo (resumo):- O usuário inicia a transferência
- A instituição verifica saldo + limites + chave
- A instituição envia a transação ao SPI
- O recebedor credita instantaneamente
- Ambas as partes recebem atualizações + ID E2E
- Transferências P2P
- Pagamentos a comerciantes
- Divisão de conta
- Pagamentos split de marketplace (quando combinado com Pix Cobrança)
2. Cash-In (Receber Pix)
O cliente recebe uma transferência Pix de qualquer outra instituição. Fluxo (resumo):- O SPI notifica a instituição recebedora
- A instituição deve creditar a conta imediatamente
- A instituição envia notificações para reconciliação
- A instituição registra a transação com um ID E2E
- Salários ou desembolsos corporativos
- Liquidações de comerciantes
- Pagamentos recorrentes de clientes
3. Reembolso (Devolução)
Fluxo regulamentado que permite às instituições devolver fundos ao remetente original. O que se segue pode acionar um reembolso:- Solicitação do cliente
- Reembolsos do comerciante
- Pagamentos duplicados
- Erros operacionais
- Casos de MED relacionados a fraude
- Usar a mensageria padrão do BACEN
- Vincular-se à transação original
- Seguir regras de valor e elegibilidade
4. Estorno (Chargeback / pacs.004)
Usado em casos regulamentados especiais — frequentemente vinculados ao MED ou correções operacionais. Estornos seguem regras estritas do BACEN e não são o mesmo que reembolsos de comerciantes.Cash-out: padrão de transferência em duas fases
A plataforma Lerian processa um cash-out Pix em um padrão de duas fases que separa a validação da movimentação de fundos. Esse design proporciona segurança, conformidade e uma melhor experiência tanto para instituições quanto para usuários finais.
Por que duas fases
Uma transferência Pix envolve múltiplas validações: busca de chave, verificação de conta, verificações de saldo, aplicação de limites e avaliação antifraude. Uma única etapa que executa todas elas cria risco — se algo falhar após uma execução parcial, a reversão se torna complexa. O padrão de duas fases resolve isso dividindo o processo:- Fase 1 — Iniciar: Validar tudo sem mover fundos
- Fase 2 — Processar: Executar a transferência de fundos usando os dados validados
- Validação antes do comprometimento: Todas as verificações (saldo, limites, validade da chave, antifraude) acontecem antes de qualquer dinheiro ser movido
- Confirmação do usuário: A aplicação iniciadora pode exibir os detalhes validados do destino ao usuário antes que ele confirme a transferência
- Suporte a idempotência: A aplicação pode retentar cada fase de forma independente, sem transferências duplicadas
- Conformidade: A plataforma completa e registra as validações regulatórias antes do início da movimentação de fundos
Como funciona
Fase 1: Iniciar
A fase de iniciação cria um registro de transferência. Ela recupera e valida as informações do destino. Nenhum fundo se move nesta etapa. A plataforma suporta três tipos de iniciação:
Para iniciações
DICT e QR_CODE, a plataforma consulta o DICT para resolver a conta destino. A iniciação retorna o nome do titular da conta, o documento e a instituição, que a aplicação pode exibir para confirmação do usuário.
A iniciação retorna um identificador único e um timestamp de expiração. A aplicação usa esse identificador na fase seguinte.
Fase 2: Processar
A fase de processamento pega a iniciação validada e executa a movimentação real de fundos:- Verifica se a iniciação ainda é válida (não expirada, não processada anteriormente)
- Debita a conta de origem no ledger
- Submete o pagamento à infraestrutura de liquidação Pix (SPI)
- Registra a transferência com rastreabilidade completa (ID end-to-end, timestamps, status)
Resumo do ciclo de vida
Camadas de validação (Regulatória + Operacional)
Cada transação Pix passa por múltiplas validações antes de chegar ao SPI:
1. Verificações de conta
- Conta ativa
- Não bloqueada
- KYC completo
2. Disponibilidade de fundos
- Saldo suficiente
- Retenções temporárias liberadas
3. Validação de chave Pix
Se o usuário paga com uma chave, a instituição deve buscar e confirmar os dados do destinatário no DICT.4. Limites regulatórios
- Por transação
- Limite diário
- Limite noturno (obrigatório)
5. Verificações de risco e fraude
As instituições podem aplicar:- Verificações de velocidade
- Fingerprint de dispositivo
- Análise comportamental
- Marcadores de fraude conhecida
6. Idempotência
Cada transferência Pix deve ter um ID de transação único. Isso evita transferências duplicadas durante retentativas.Controles operacionais e segurança
Requisitos de autenticação
Autenticação forte do cliente é obrigatória para todas as operações de envio Pix.Notificações e Webhooks
Após o crédito, as instituições devem notificar sistemas e usuários. Webhooks permitem reconciliação em tempo real.Tratamento de erros
Categorias comuns de erro incluem:- Timeout
- Chave inválida
- Saldo insuficiente
- Limite diário/noturno excedido
- Transação suspeita bloqueada
Auditabilidade
O Pix exige rastreabilidade completa:- Logs
- Timestamps
- ID E2E
- Metadados da conta
Limites de transação (Regras do BACEN)
Os limites de transação Pix existem para reduzir o risco de fraude, proteger os usuários finais e manter a segurança operacional em todo o ecossistema de pagamentos instantâneos. O BACEN define padrões mínimos de segurança, e as instituições podem adicionar restrições conforme seu apetite de risco. Os limites do Pix se dividem em dois grupos: limites regulatórios obrigatórios e limites definidos pela instituição.
1. Limites regulatórios obrigatórios (BACEN)
Limite noturno (Teto por transação)
As instituições devem aplicar um limite máximo mais baixo entre 20:00 e 06:00. Requisitos regulatórios:- Máximo padrão: R$ 1.000
- As instituições podem definir um padrão mais baixo (ex.: R 200)
- Os clientes podem reduzir este limite instantaneamente
- Os clientes podem aumentar este limite somente após um período mínimo de espera de 24 horas
- Os clientes podem ajustar a janela noturna (ex.: estender para 18h–08h)
- Transferência Pix (cash-out)
- Pagamento via QR Code Pix
- Pix Saque/Troco
- Pagamentos Pix Cobrança iniciados à noite
Permissão para limites controlados pelo cliente
As instituições devem oferecer aos clientes a possibilidade de configurar seus próprios limites, por:- Transação
- Dia
- Máximo noturno
- Outras formas de segmentação baseada em risco
- Reduções → devem ter efeito imediato
- Aumentos → só podem ter efeito após um mínimo de 24 horas (atraso de segurança)
Obrigação de analisar solicitações de aumento de limite
Cada instituição deve:- Aceitar solicitações de clientes para aumento de limites
- Avaliá-las por critérios de risco
- Conceder ou negar com base na política de fraude
- Aplicar aumentos somente após o período regulatório de espera (24h+)
Limites de Saque/Troco (Cash-Out em estabelecimentos)
Pix Saque e Pix Troco têm seus próprios tetos:- Padrão: R$ 500 por transação
- As instituições podem voluntariamente oferecer até R$ 3.000 por transação
- Os clientes podem reduzir este limite instantaneamente
- Aumentos seguem a mesma regra de 24h
Obrigações de crédito (independente dos limites)
Mesmo que uma transferência exceda os limites, depois que o recebedor recebe o crédito:- A transação se torna irrevogável
- Apenas fluxos de MED ou reembolso podem revertê-la
- As instituições não podem “desfazer” um Pix completado por iniciativa própria
2. Limites definidos pela instituição (Configuráveis)
Além das regras obrigatórias, as instituições podem adicionar seus próprios controles, como:Limite por transação
Valor máximo permitido para uma única operação Pix.Limite diário
Teto sobre o valor total de Pix por usuário por dia calendário.Limite mensal (opcional)
Usado principalmente por contas corporativas ou modelos de risco de fintechs.Segmentação baseada em risco
As instituições podem oferecer:- Limites mais restritos para novos clientes (ex.: primeiros 7 dias)
- Limites diferentes para usuários de alto risco ou contas sinalizadas
- Limites dinâmicos ajustados pelo comportamento do cliente
3. Regras operacionais exigidas pelo BACEN
Redução imediata de limite
Os clientes podem reduzir seus limites instantaneamente.Aumento de limite com atraso
Todos os aumentos devem respeitar:- Mínimo de 24 horas antes de entrar em vigor
- Período de espera adicional opcional (escolha da instituição)
Horários de pico de risco
Os limites noturnos se aplicam especificamente a fluxos de cash-out, pois representam o principal vetor de perdas por fraude.Aplicação em tempo real
As instituições devem verificar os limites antes de enviar uma transação ao SPI. A instituição deve rejeitar localmente um Pix que viole os limites, antes de ele chegar ao SPI.4. Comportamento dos limites no ciclo de vida da transação
Durante a iniciação de um Pix
A instituição remetente deve verificar:- Saldo disponível
- Limite por transação
- Limite diário
- Limite noturno
- Limite de Saque/Troco (se aplicável)
- Limites de fraude/velocidade
- Limites configurados pelo cliente
Durante retentativas
A instituição deve validar os limites novamente. A idempotência previne transferências duplicadas, mas não contorna as verificações de limite.Durante fluxos de comerciante
QR Codes dinâmicos também devem respeitar:- Limites do cliente
- Regras de horário
- Tetos de Saque/Troco
5. Comunicação recomendada ao cliente
O BACEN exige que as instituições:- Expliquem os limites claramente
- Ofereçam ao cliente autoatendimento para ajustar limites
- Mostrem aumentos pendentes e datas de ativação
- Notifiquem os clientes em caso de comportamento suspeito

