Pense em cômodos antes de construir
Imagine projetar uma casa. Antes de derramar qualquer concreto, você decide para que serve cada cômodo (cozinha, quarto, escritório) e quem tem permissão para entrar. Você não começa a assentar tijolos e descobre a planta depois. Um plano de ledger funciona da mesma forma. Você decide para que serve cada conta, quais regras ela segue e como o dinheiro flui entre os cômodos, antes de criar qualquer coisa. As quatro etapas abaixo são esse método.
Etapa 1: Liste os atores do mundo real
Comece longe do software por completo. No papel, liste toda parte do mundo real que lida com dinheiro no seu negócio. Não se preocupe com a estrutura ainda. Apenas nomeie-as. Uma lista típica se parece com isto:
- Clientes: as pessoas ou empresas que mantêm valor com você
- Tesouraria: seus próprios fundos operacionais
- Receita: o dinheiro que você ganha
- Tarifas: as cobranças que você coleta sobre os movimentos
- Liquidação: dinheiro em trânsito de ou para o mundo externo
- Despesas: o dinheiro que você paga
Etapa 2: Decida o que precisa da própria verdade
Nem todo ator precisa de sua própria conta. O teste é simples: essa coisa precisa de um saldo próprio, separado e confiável, de sua própria verdade? Se você precisa saber, a qualquer momento, exatamente quanto valor está com esse ator, ele precisa de sua própria conta. Se é apenas um rótulo ou um detalhe de outra coisa, não precisa.
Etapa 3: Classifique e agrupe com três perguntas
Para cada conta que você manteve, faça três perguntas universais. Juntas, elas dizem como estruturar e agrupar suas contas.
Essas três perguntas são independentes. Uma conta pode precisar das três, ou de apenas uma. Mantenha-as separadas em sua mente:
O grande erro aqui é reduzir essas três a uma só. Uma classificação controla que tipo uma conta pode ser. Uma fatia de relatório é como você agrupa uma conta em um relatório. Um grupo operacional é quais contas pertencem a um cliente. Cada uma é diferente, e tratá-las como uma coisa emaranhada é o que torna os planos de ledger inviáveis de gerenciar.
Etapa 4: Esboce os movimentos
Por fim, desenhe as setas. Para cada tipo de movimento que seu negócio faz, esboce qual conta é a origem e qual é o destino. Esse esboço é o insumo de que você vai precisar quando depois definir regras reutilizáveis para esses movimentos.
Um exemplo prático: um negócio simples de carteira
Digamos que você opera um app de carteira. Clientes carregam dinheiro, enviam uns aos outros, e você cobra uma pequena tarifa sobre as transferências. Percorra o método: Atores: clientes, sua conta de tarifa/receita e uma conta de liquidação para o dinheiro que entra do mundo externo. Verdade própria? Cada carteira de cliente precisa de seu próprio saldo. O mesmo vale para as tarifas que você coleta. E para a liquidação, que espelha o mundo externo. Três perguntas:
- Validação? As carteiras de cliente se comportam de forma diferente da sua conta de tarifa, então são de um tipo diferente. Classifique-as.
- Fatia de relatório? Você quer gerar relatórios de clientes por país, então adicione um rótulo para região.
- Grupo operacional? Um cliente premium pode ter várias carteiras, então agrupe-as.
Erros comuns de quem está começando
- Classificar demais. Criar uma dezena de tipos de conta quando dois bastariam. Comece de forma ampla. Refine apenas quando uma regra real exigir.
- Misturar relatório com estrutura. Não embuta uma fatia de relatório (como “região”) no tipo de uma conta. Mantenha como você classifica separado de como você gera relatórios.
- Tratar o plano como uma lista. Criar contas às pressas antes de esboçar os movimentos deixa você reorganizando tudo depois.
- Pular o teste da “verdade própria”. Dar a tudo sua própria conta, ou espremer coisas não relacionadas em uma só, ambos causam dor.
Próximos passos
Veja isso na LerianEssas três perguntas se mapeiam em como a Lerian modela contas:
- Regra de validação? → Tipos de Conta
- Fatia de relatório? → Segmentos
- Agrupamento operacional? → Portfólios

